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Gleisi Hoffman, senadora do Partido dos Trabalhadores (Brasil)

«A Presidente Dilma foi afastada pelo Senado da República num processo de impeachment, que nós consideramos um golpe, por não ter base constitucional. Acusam a Presidente de um crime que não existe. A sua destituição foi casuística, foi pensada para a incriminar e só vai servir para ela, para este caso, porque não configura um crime de responsabilidade.
A presidente teve 54 milhões de votos e quem assume hoje o poder, para além de não ter recebido quaisquer votos dos brasileiros, mudou radicalmente o programa que foi eleito nas urnas em 2014: nós hoje temos um vice-presidente que assumiu interinamente com um programa económico liberal e posições conservadoras nas áreas sociais, políticas e de comportamento.


A nossa democracia ainda é muito frágil. Nós saímos de uma ditadura militar há cerca de 30 anos e nesse tempo conseguimos construir uma democracia para conquistar direitos para a maioria da população. Em 1988, foi aprovada a Constituição Cidadã, que garante o mínimo de direitos à população brasileira, que só foram efectivamente colocados em prática quando o presidente Lula assumiu o governo em 2003.
Esses direitos podiam ter sido muito maiores, mas pela conjuntura e pela correlação de forças não foi possível. Apesar disso, o Brasil conseguiu reverter o seu quadro de miséria, retirando 40 milhões de pessoas da pobreza extrema; conseguiu ter dignidade através de um salário mínimo que tem ajuste pelo valor real; conseguiu colocar milhões de pessoas na previdência; conseguiu ampliar o ensino público superior; conseguiu fazer programas voltados para as pessoas mais pobres, como a «Minha Casa, Minha Vida», com mais de três milhões de casas entregues à população; conseguimos fazer programas de saúde, com a ajuda dos mais de 16 mil médicos cubanos que actualmente atendem o povo brasileiro.
Todos estes programas correm o risco de serem interrompidos e diminuídos. O governo que substituiu a Presidente Dilma tem compromissos com o capital financeiro, com os que sempre dominaram o Brasil e nunca fizeram nada pelos mais pobres.»

(depoimento recolhido na sessão de solidariedade com a América Latina, realizada no dia 17 de Maio de 2016, na Casa do Alentejo, em Lisboa)