Face a este hediondo crime e perante a indigna impunidade dos seus responsáveis, que a memória não esqueça.

No momento em que se assinala o trigésimo aniversário do massacre de Sabra e Shatila, o Conselho Português para a Paz e Cooperação reafirma a sua firme solidariedade para com a luta do povo palestino contra a ocupação israelita e pela construção do seu Estado independente e soberano.

Durante três dias, entre 16 e 18 de Setembro de 1982, o Exército israelita lançou a barbárie dos falangistas libaneses sobre os campos de refugiados palestinianos de Sabra e Shatila – nos arredores de Beirute – onde assassinaram centenas de homens, mulheres e crianças, sendo este um dos mais brutais massacres contra o povo palestiniano. Perpetrado durante a invasão israelita do Líbano, o massacre ocorreu numa área directamente controlada pelo exército sionista, valendo ao então ministro da Defesa Ariel Sharon a demissão do cargo ao ter sido pessoalmente responsabilizado pelo sucedido, face à sua cumplicidade e colaboração – Sharon que mais tarde viria a ser primeiro-ministro de Israel.

 

Perante a crueldade do massacre e o elevado número de vítimas (que pode ter atingido as 3500 pessoas), em Dezembro do mesmo ano, a Assembleia Geral das Nações Unidas condenou-o, considerando-o um acto de genocídio. Esta resolução foi aprovada por 123 votos a favor e 22 abstenções. Entretanto, de então até aos dias de hoje, muitos outros massacres foram perpetrados contra a população palestina e muitas outras resoluções foram aprovadas, sem que Israel tenha sido punido de qualquer forma.

Assinalar, hoje, o massacre de Sabra e Shatila, é lembrar a cruel ocupação israelita dos territórios palestinos, negando a este povo os seus mais básicos e elementares direitos humanos; é não esquecer os milhares de mortos, de feridos, de refugiados, de prisioneiros; é demonstrar a firme solidariedade para com um combate que é justo e que, mais cedo ou mais tarde, triunfará: a criação de um Estado da Palestina independente e viável.

18 de Setembro de 2012
Conselho Português para a Paz e Cooperação